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ÚLTIMA HORA: Sporting ataca arbitragem Vimos o critério mudar consoante a equipa que sofreu ou que fez a falta, Saiba mais

“Não foi um fim-de-semana feliz para a arbitragem.” É desta forma que o diretor de comunicação do Sporting resume a análise a lances polémicos dos jogos dos leões, do Benfica e do FC Porto que, encerraram a primeira volta da Liga. Em declarações na Sporting TV, durante a edição desta semana do programa ‘Raio-X’, Miguel Braga questiona os critérios aplicados nos três encontros em situações que considera semelhantes: a expulsão de Daniel Bragança, no Santa Clara-Sporting (dirigido por Rui Costa, com Luís Ferreira no VAR), lances que envolveram Otamendi, Everton ‘Cebolinha’ e Denilson Jr., no Benfica-P. Ferreira (Vítor Ferreira foi o árbitro e Luís Godinho o vídeo-árbitro), e ainda outro momento que teve Mbemba como protagonista, no Estoril-FC Porto  (arbitragem de António Nobre, com Artur Soares Dias no VAR).

“Não pode existir dualidade de critérios em jogos diferentes. Ora, no jogo do Benfica vimos uma dualidade de critérios com o mesmo árbitro, no mesmo jogo, na mesma parte. Ou seja, não foi para o intervalo, comeu uma laranja que lhe caiu mal e depois teve outro critério. Não. Foi tudo nos mesmos 45 minutos, três lances com três critérios diferentes. E, se compararmos com o lance do Daniel Bragança, faz ainda mais confusão. Um árbitro não pode ter uma atitude à sexta-feira, outra ao sábado e outra ao domingo. Isto não faz bem ao futebol. Pior ainda, mais difícil de explicar, volto a dizer, é o mesmo árbitro, no mesmo jogo, na mesma parte ter com as duas equipas critérios diferentes. E foi isso que vimos no jogo do Benfica. Se o lance do ‘Cebolinha’ e o do Otamendi são vistos como lances casuais, faz-me muita confusão que o do Paços de Ferreira seja visto como expulsão”, disse Miguel Braga, considerando que em Portugal se está “a cair na tentação de expulsar por tudo e por nada.”

“Parece que o regresso do público provocou no sector da arbitragem a ânsia de expulsar por estes contactos quase normais no futebol. Faz-me a maior confusão que se expulse com esta facilidade e ainda mais a falta de critério ou dualidade de critérios. Quem pode e deve contribuir para a verdade desportiva é o sector da arbitragem, e o que aconteceu este fim-de-semana não nos leva a dizer isso”, prossegue Miguel Braga, antes de avaliar a situação com Mbemba, no jogo do FC Porto. “Naquela entrada do Mbemba não houve sequer amarelo; no lance do Daniel Bragança houve expulsão. São ambos pisões… É uma boa discussão. Os vários players do futebol deveriam falar sobre isto abertamente com a arbitragem para se perceber que não podemos diabolizar certos lances e a expulsar jogadores por dá cá aquela palha. Tem sido muito normal as equipas não acabarem com onze o que, em si mesmo, é anormal”, observa.

A intervenção dos diferentes vídeo-árbitros nos lances em questão, segundo Miguel Braga, não foi uniforme. “Mais uma vez, tem a ver com o critério. O que vimos neste fim-de-semana foi a ausência de critério de jogo para jogo e, mais grave, num jogo apenas, vimos esse critério mudar consoante a equipa que sofreu ou que fez a falta. Não faz bem à arbitragem em Portugal”, afirma.

E conclui, mais à frente: “Em 17 jogos, o Benfica tem menos 20 cartões amarelos do que o Sporting. E se olharmos para estes dois lances começamos a perceber o porquê desta disparidade ao fim da primeira volta, entre dois clubes que estão a lutar pelos primeiros lugares.”

Golo anulado ao Estoril é “caricato”

O Estoril-FC Porto ficou marcado por um golo anulado a Rui Fonte, aos 63 minutos, que teria resultado no 3-1 para os canarinhos, por alegada falta de Gamboa sobre Evanilson. Miguel Braga entende que a decisão foi errada e insiste que em Portugal os árbitros apitam em demasia, ou sem critério.

“Relativamente ao jogo do FC Porto, o lance mais caricato será o golo anulado ao Estoril. E o golo é anulado por uma faltinha. É no mínimo perigoso começarmos a marcar as faltinhas que existem ao longo de um jogo. Vamos ficar atentos e ver como é que o Pepe e o Fábio Cardoso defendem nos cantos do FC Porto, por exemplo. Será que vamos passar a marcar as faltinhas todas? Parece-me um total disparate nós alinharmos o nosso futebol por estas faltinhas. O golo na minha opinião é limpo. Aquilo não é uma falta, é uma faltinha. Não faz nenhum sentido, ainda para mais com o apoio do vídeo-árbitro, o árbitro anular o golo daquela forma, por aquela faltinha”, considera o responsável pela comunicação do Sporting.

Miguel Braga defende que “faltinhas só existem em cabeças pequenas” e que “o futebol português deveria fazer um workshop com muitos vídeos do futebol inglês, para perceber que devemos deixar o jogo ser jogado.”

E vai mais longe, a propósito do jogo com o Santa Clara. “O que vimos infelizmente neste fim-de-semana foi quase um caos. Porque no jogo do Sporting tivemos um árbitro que apitou muitas vezes mas o crime compensou, no sentido em que as faltas do Santa Clara na primeira parte não valeram sequer um cartão amarelo, apesar das repetições. Ao Sarabia, que eu tivesse contado, há pelo menos duas estaladas, ou uma estalada e uma cotovelada, obviamente sem querer mas que lhe acertam, e não são sancionadas pelo árbitro. Se eu não vir amarelo de cada vez que faço uma falta, passo o jogo todo a fazer faltas e impeço o meu adversário de atacar. Isto é uma estratégia como outra qualquer mas os árbitros, para estratégias menos claras, deviam estar cá para ajudar o futebol e o espectáculo desportivo, e não me parece que tenha sido isso que aconteceu”, repara.

“Já custa olhar para a verdade desportiva e da classificação”

Para o diretor de comunicação do Sporting, a verdade desportiva do campeonato está ameaçada. “Acabarmos a primeira volta com estes casos, com expulsões, critérios diferentes, golos limpos anulados…  Já custa olhar para a verdade desportiva e para a verdade da classificação. E se pensarmos nos jogos contra nove e coisas do género, que já aconteceram nesta primeira volta, interrogámo-nos onde estará essa verdade ou, pelo menos, onde estarão as pessoas que lutam por essa verdade desportiva, que fazem falta especialmente ao futebol português.”
Fonte: Record.pt

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